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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ENTREVISTAS: Futebol é do povo


Jornalista investigativo inglês alerta para esquemas sujos da Copa de 2014 e defende mais transparência na organização do esporte no Brasil

Daniel Santini

daniel.santini@folhauniversal.com.br

Repórter investigativo há mais de 30 anos, o jornalista inglês Andrew Jennings gastou anos desvendando como a Federação Internacional de Futebol (Fifa) funciona. No livro “Jogo Sujo, o mundo secreto da Fifa: compra de votos e escândalo de ingressos”, publicado no Brasil pela editora “Panda”, ele apresenta o que apurou. Trata-se de uma história de arrepiar sobre os bastidores da maior organização esportiva do mundo. O trabalho, resultado da análise de pilhas de documentos e incontáveis entrevistas, é um alerta meticuloso e detalhado sobre como a Copa em 2014 no Brasil pode ser utilizada para corrupção e tramas sujas. Nesta entrevista exclusiva, ele defende que, mais do que celebrar o evento, a população deve estar atenta aos desvios de recursos públicos para cobrar as autoridades.



1 – É preciso jornalismo investigativo na Copa?
O futebol pertence ao povo e os recursos que o senhor Ricardo Teixeira (presidente da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014) recebe são impostos pagos pelas pessoas. Não faz sentido a copa ficar na mão de uma organização privada. Além disso, o senhor Teixeira não inventou o Pelé, o Ronaldo. Esses atletas vêm do povo e o povo tem direito de saber o que acontece. Toda sociedade é mais saudável se houver transparência.


2 – Como podemos ter mais transparência na copa?
Podemos pedir ao senhor Teixeira que coloque todos os documentos sobre a Copa do Mundo na rede mundial de computadores. É só escanear tudo, todos os documentos, todos os salários, todos os bônus, todos os contratos. Aliás, como esses cavalheiros viajam? Na parte de trás dos aviões como nós? Eles nem sabem que existe esta parte no avião. Na verdade, Ricardo Teixeira nem sabe como é viajar desta maneira porque só viaja em jatos privados. Nós temos que trazê-los de volta para terra.


3 – Há jornalistas que se comprometem com acordos comerciais e não fazem perguntas. Que pensa disso?
Quem é um jornalista, tem um bom coração e se preocupa em entender como a sociedade funciona, precisa fazer perguntas. É preciso levantar a mão e questionar: “Desculpe, eu pago impostos, porque estamos construindo este estádio novo?“


4 – Em 2006, Teixeira dizia que a copa seria bancada pela iniciativa privada. Até agora, 98% dos investimentos previstos são verbas públicas. Como vê isso?
Eles mentem. Pessoas como Ricardo Teixeira tentam fazer os brasileiros de trouxas. Ele está consciente da paixão do povo pelos jogos, consciente de que existe preocupação do Brasil em que o evento não seja um desastre, então diz desculpem, mas vocês vão ter que pagar taxas. Ele nunca vai pedir para as pessoas pensarem sobre isso, mas é preciso pensar. O Brasil não precisa da Copa do Mundo para ser reconhecido. Nas últimas décadas o País tem sido visto cada vez mais como independente e importante e não é pelo o que Romário ou Ronaldo fizeram.


5 – Como vê Teixeira como coordenador da copa?
Se ele for mesmo o responsável pela copa sabemos os desastres que virão. O dinheiro desaparecerá e não teremos os estádios prontos, os aeroportos, os transportes, a infraestrutura. Eles ficarão com o dinheiro, mas não com a responsabilidade. E, no fim, em vez de dizerem que o Brasil é maravilhoso, os visitantes farão críticas e dirão que os brasileiros são preguiçosos.


6 – A copa é sempre organizada com verbas públicas?
A exceção talvez seja a da Alemanha, que tem uma sociedade rica e já tinha a maioria dos estádios e uma rede de transportes muito boa. Mas em geral é assim. Na África do Sul, meu Deus, como eles foram ludibriados por esses criminosos.


7 – Mas não há retorno financeiro para o país-sede?
É como um estupro. Eles dizem que haverá retorno, que tudo será pago, fazem promessas bonitas e os países cedem. Depois de se aproveitar, vão embora deixando estádios que não eram necessários e gastos que poderiam ser utilizados em investimentos sociais. Não escrevem e nem telefonam.


8 – Qual seria a solução?
As pessoas que ganham dinheiro poderiam pagar pela competição. Olhe os lucros da televisão, olhe o lucro do marketing gerado com a copa. Esse é um dinheiro deixado para o país? Será mesmo? E existe a necessidade de mais estádios? Ou será que quem vai ganhar não poderia bancá-los?


9 – O futebol não é um negócio privado então?
Como é isso? Futebol é privado, mas temos políticos apoiando com verbas públicas o senhor Teixeira? Não. As pessoas precisam entender que o senhor Teixeira controla um grande número de políticos e de clubes grandes. Isso é revoltante. Esse tipo de relação precisa acabar. As pessoas têm que ser livres para fazer suas próprias decisões e participar. Futebol não é um negócio privado, é algo público.


10 – A maioria dos dirigentes de futebol permanece no poder por muito tempo. O que pensa disso?
Vejamos o caso de Joseph Blatter (presidente da Fifa). Ele é presidente porque 186 homens votaram nele. Não foram as pessoas que gostam de futebol. Eu não votei, você não votou. São esquemas de poder e é preciso bons repórteres para desvendá-los. Contem as histórias, publiquem na internet, vamos discutir isso. A copa é do povo, não do Ricardo Teixeira. É preciso que as pessoas tenham acesso ao conhecimento para discutir.

domingo, 12 de julho de 2009

ENTREVISTAS: Nair Ávila dos Anjos - “Só desisto se me matarem”




Por Daniel Santini
daniel.santini@folhauniversal.com.br


O advogado e ex-vereador Manoel Bezerra de Mattos Neto (PT/PE) foi executado na noite de 24 de janeiro de 2009, em Pitimbu, na Paraíba. Levou um tiro de espingarda no peito e um na cabeça e morreu na hora. Quando foi assassinado, Mattos tinha 44 anos e um histórico de defesa dos direitos humanos e de denúncias de grupos de extermínio e milícias que atuam na divisa entre Pernambuco e Paraíba. Hoje, familiares tentam, com a ajuda da organização não- governamental Justiça Global, fazer com que o caso passe a ser julgado por autoridades federais, já que há suspeita de envolvimento das autoridades locais nas quadrilhas que Mattos vinha denunciando. A mãe, Nair Ávila dos Anjos, já pediu até que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intercedesse. Ela conta que hoje vive presa, escondida para não ser morta, enquanto os assassinos permanecem livres e impunes.

1 – Tudo bem, dona Nair?
Não, não estou nada bem. Tem várias pessoas sendo ameaçadas por aqui e os homens que mataram meu filho estão soltos. Eles têm armas de grosso calibre e estão ameaçando o pessoal. O soldado que deveria estar preso tem jogado bola sem camisa em frente ao quartel. O outro vai ser solto. Uma pessoa que eu conheço e foi ameaçada tentou registrar boletim de ocorrência, mas não quiseram fazer, alegando que ele não tinha testemunhas. A situação é crítica.

2 – A senhora sofreu ameaças?
Já, muitas. Há uns 15 dias teve uma, mas não adianta nem tentar registrar. Não posso dar o endereço para ninguém porque, enquanto os assassinos estão soltos, eu estou presa. Tenho que ficar escondida dentro de casa. Quando saio na rua, sempre vejo motos por perto com sujeitos estranhos. Mas não tenho medo, falo com toda a honestidade. Meu filho, que era a coisa mais preciosa que eu tinha na vida, morreu. Podem me ameaçar do jeito que for, agora.
3 – A Organização dos Estados Americanos (OEA) determinou, em 2002, que o Governo brasileiro protegesse Mattos. Houve descaso?
Ele passou 1 ano e pouco sendo protegido, mas, como era um político e estava sempre denunciando as coisas erradas, indo para programas de rádios e para todos os cantos, acharam por bem tirar a escolta. Eles disseram, na época, que não podiam ir para os lugares com ele. Aí, aconteceu o que aconteceu.

4 – Por que vocês querem que a investigação sobre a morte dele passe para a Polícia Federal?
É que assim ela fica mais isenta. Tem um grupo de policiais laranjas podres aqui. Gente que polui o meio. Veja bem, eu estou de cama e, depois de ver meu filho morrer do jeito que ele morreu, depois de ver as fotos, quis falar. Queria contar o que ele vinha fazendo e as ameças, mas tive que brigar para ser ouvida. Quero que a investigação seja federalizada. Confio na Polícia Federal, confio no presidente e no governador.

5 – Como foi o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva? O que ele disse para senhora?
De mãozinha dada comigo, ele prometeu que tudo o que pudesse fazer, ele faria para o caso ser federalizado. Ele disse que esse iria ser o primeiro caso, a prioridade, ele prometeu. Tenho muita fé em Deus e peço muito por Justiça. Meu filho era íntegro. Era tão correto que, quando meu filho mais novo, que é arquiteto, estava desempregado, ele não quis arranjar emprego porque achava errado colocar família na política.

6 – Se soubesse que ele seria morto, a senhora tentaria convencê-lo a deixar de investigar grupos de extermínio?

Dei muitos conselhos a ele. Falei até para ele sair da cidade em que morava, mas no trabalho eu nunca dei conselho. Ele estava fazendo o certo e não o errado. Estava defendendo os pobres, lutava pelos direitos humanos, pelos menos favorecidos. Ele não visava dinheiro, mas honestidade. Era um homem correto e foi isso o que eu ensinei para ele. Não podia pedir que parasse, tinha que incentivá-lo. Apesar da minha dor, sei que ele morreu como uma pessoa boa.

7 – As investigações apontaram mais de 200 execuções de 2006 a 2009 e envolvimento de diversas autoridades. Como o grupo chegou a ter tanto poder?
Tem dono de engenho, prefeito, deputado federal, gente de alta patente, juiz, promotor. Sei de preso que foi almoçar com um comandante em uma churrascaria. A gente só tem força de lutar porque tem apoio de dois deputados federais, o Luiz Couto (PT/PB) e o Fernando Ferro (PT/PE) (Nota da redação: Manoel Mattos foi assessor do deputado Fernando Ferro)

8 – Os dois deputados também foram ameaçados e estão sem proteção. Conversei com o delegado da Polícia Federal, Marinaldo Moura, que disse que é difícil manter agentes com eles por não ter recursos sobrando. Ele defende que isso é obrigação da Polícia da Câmara.
Acho errado. Os dois estão batalhando e deveriam ter proteção da Polícia Federal. E eu também não tenho proteção. Ninguém nunca veio me perguntar se eu precisava ser protegida.

9 – Uma das principais propostas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Extermínio é de penas mais duras para quem formar grupos paramilitares ou milícias para exterminar pessoas. O que mais pode ser feito?
É preciso colocar polícia bem equipada na rua, mas policiais com letra maiúscula. Tem gente direita de farda também. É preciso valorizar quem
é correto.

10 – Dá para comparar os grupos que atuam em Pernambuco e na Paraíba com as milícias do Rio de Janeiro?
No Rio de Janeiro não sei se eles têm os grandes por trás. Aqui, até gente de patente alta faz parte do grupo. Fica mais difícil de lutar, mas não vou perder minha força. Vou até o fim. Só desisto se me matarem. Confio em Deus.

domingo, 28 de junho de 2009

ENTREVISTAS: HENRIQUE GOLDMAN - Racismo contra imigrantes




Por Guilherme Bryan
guilherme.bryan@folhauniversal.com.br


Estreou, na última sexta-feira (26), nos cinemas brasileiros, o filme “Jean Charles”, estrelado por Selton Mello e Vanessa Giácomo, e que gira em torno da história do brasileiro Jean Charles de Menezes que, em 22 de julho de 2005, quando tinha 27 anos, levou sete tiros na cabeça disparados por membros da Scotland Yard, no metrô de Londres, na Inglaterra, após ser confundido com terrorista que, no dia anterior, havia participado de atentado na capital inglesa. Antes de vir ao Brasil para o lançamento do filme, o diretor brasileiro Henrique Goldman, de 47 anos, conta, de Londres, porque resolveu filmar essa história recente que chocou o País e o que pensa a respeito do tratamento dado brasileiros que vivem na Europa, como ele próprio.

1 – Por que você resolveu filmar uma história tão marcante como a de Jean Charles?
Procuro sempre histórias que sejam relevantes para mim e, ao mesmo tempo, relevantes para um grande público. No nível pessoal, minha identificação com o Jean Charles é enorme, pois sou brasileiro, vivo em Londres e o morto naquele fatídico dia de verão em 2005 poderia ter sido eu. Já na esfera coletiva, essa história despertou enorme interesse no mundo inteiro, porque envolve grandes temas da atualidade como fundamentalismo religioso, imigração e racismo. Se Jean Charles fosse loiro e de olhos azuis, ele não teria sido morto.

2 – O fato de essa história estar muito fresca na memória das pessoas e de não haver um desfecho para o caso dificultou a realização do filme?
Nosso filme não é apenas a respeito da morte de Jean Charles. É uma celebração da vida dele e da vida dos brasileiros no exterior. Para nós, as questões legais e jurídicas são menos importantes do que o que aconteceu pessoalmente com o Jean e sua família. Ao mesmo tempo, não queríamos retratá-lo como um santo. Ele era um sonhador, idealista, mas que também fazia pequenos trambiques, porque, como tantos estrangeiros, ele precisava sobreviver. Então, a escolha do Selton Mello para interpretá-lo foi óbvia. Ninguém como o ele pode ser um pouco pilantra, mas infinitamente simpático e charmoso. O desempenho dele é excelente.

3 – Como foi a relação com
a família de Jean Charles durante o projeto?
Fizemos o filme com a colaboração da família. Lemos o roteiro para os familiares várias vezes na fase de elaboração e eles deram muitos palpites e fizeram exigências, como lhes é de direito, mas prefiro não entrar em detalhes específicos. Acho melhor que seja dito pelos próprios familiares.

4 – Vocês tomaram algum partido com relação ao desempenho dos policiais britânicos envolvidos no caso?
É quase desnecessário tomar partido, pois a história fala por si só. A polícia não só foi incompetente e negligente ao matar Jean Charles de forma tão absurda, mas, pior ainda, agiu de forma totalmente desonesta ao tentar se redimir culpando o Jean pela própria morte (O caso continua sem desfecho e ninguém ainda foi punido. Em dezembro do ano passado, jurados britânicos consideraram o
caso inconcluso).
5 – Por que a rede estatal britânica “BBC” resolveu deixar a produção do filme?
Não conheço a razão oficial pela qual decidiram abandonar o projeto, mas nossos interesses eram divergentes. Eles queriam um filme sobre a polícia britânica e eu um filme sobre o Jean Charles, seus primos e os brasileiros que vivem em Londres.

6 – De que modo as dificuldades de um imigrante brasileiro em Londres aparecem no longa-metragem?
Apesar de ser quase inteiramente filmado em Londres, o filme se passa num universo absolutamente brasileiro e é sobre a diáspora brasileira, provocada principalmente pela crise econômica e pelo baixo custo das passagens aéreas.

7 – A experiência que você tem de morar há 27 anos fora do Brasil foi utilizada na produção do filme?
Eu estou retratando um mundo e uma condição que conheço muito bem. Ou seja, conto uma história que é também minha, de frio, solidão e saudades. Londres é uma cidade muito dura. Aqui não temos tempo para o outro. É cada um por si e Deus por todos. Inicialmente, eu tive a sorte de receber um visto de profissional e, depois, me casei com uma inglesa. Hoje, tenho dupla cidadania. Mas já vi muita gente se dar mal e não gosto da mentalidade xenófoba que existe aqui.

8 – Você vivenciou esse pânico que se instalou em vários países da Europa com relação ao terrorismo?
Sim. A cidade de Londres inteira viveu em pé de guerra durante algumas semanas. Esses ataques são muito tristes, mas os britânicos não podem perder a oportunidade de fazer autocrítica e entender por que isso aconteceu e qual é o seu papel no mundo.

9 – O filme inteiro é baseado em fatos que realmente aconteceram?
No seu espírito, o filme é muito fiel à vida do Jean Charles, dos primos dele e de tudo que estava acontecendo em Londres, em 2005. Mas resolvemos extrapolar a história para retratar também a vida dos brasileiros na capital inglesa. Jean Charles é um ícone e, por isso, fomos além dos fatos. O filme é uma obra de ficção inspirada em fatos reais. E também se fosse só sobre o Jean, teria que terminar na morte dele e todos já saberiam qual seria o fim da história. Mas, falando da prima dele, Vivian, pudemos ir mais longe. O Jean morre, mas a vida e a morte dele fizeram com que uma menina insegura virasse uma mulher independente.

10 – Por que vocês resolveram lançar o filme em um estádio de futebol na cidade-natal de Jean Charles, Gonzaga, em Minas Gerais?
Fiquei muito emocionado com essa oportunidade, pois mostramos o filme às pessoas que conviveram com o Jean Charles. Tomara que tenha agradado. Afinal, nossa ideia sempre foi a de fazer um cinema popular.

domingo, 21 de junho de 2009

ENTREVISTAS: A ciência e a religião

 
 



Chefe do Projeto Genoma, criado para mapear o código genético dos seres vivos, o biólogo e médico norte-americano Francis Collins é um dos mais conceituados pesquisadores do mundo. Ele gerou polêmica na comunidade científica ao defender que Deus existe. Collins descreveu em seu livro "A linguagem de Deus" a própria luta interior dele – passou de ateu a cristão ao concluir seu doutorado, já na idade adulta, descobrindo que é possível compreender as verdades científicas sobre o universo e a vida e, ao mesmo tempo, viver a crença em Deus.

Collins descobriu a fé de uma maneira bastante diferente da maioria das pessoas.

Ao estudar medicina, começou a atentar para a incrível força espiritual das pessoas com uma crença mesmo nas piores tragédias. Foi, então, que ele percebeu que tinha abertura de pensamento com relação à ciência, mas era fechado para os assuntos relativos à fé, negando-se a avaliar as evidências contra ou a favor da crença em Deus. Para ele, essa é uma atitude indigna de um verdadeiro cientista, embora muito comum.

Mas, foi ao ler o romancista norte-irlandês C. S. Lewis que ele sentiu-se tocado, uma vez que Lewis defende que a moral é obra de Deus. Para o escritor, não há outra explicação para a busca humana pela maneira correta de se viver, mesmo em detrimento do próprio bem-estar, a não ser o fato de Deus tocar no coração dos homens.

Para Collins, as leis do universo, finamente ajustadas a favor da vida, são obra-prima de uma inteligência divina, tese também defendida por Albert Einstein (1979–1955), o célebre autor da Teoria da Relatividade e ganhador do Prêmio Nobel de Física, de 1921, considerado um dos maiores gênios da ciência de todos os tempos.

O físico chegou a ser tido como ateu, já que frases ditas por ele contra o fundamentalismo religioso foram mal interpretadas. "Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados que professam ideias que datam de 1880", chegou a dizer Einstein, explicando que não era ateu.

Clarisse Werneck

Isaac Newton estudava a Bíblia

Isaac Newton (1643-1727) é considerado o pai da Física moderna e formulou a lei da gravidade, entre outras realizações científicas. Porém, uma faceta da biografia do cientista, até então desconhecida do grande público, veio à tona recentemente: durante sua maturidade, Newton passou a maior parte do tempo dedicado a um estudo detalhado do livro de Daniel e do Apocalipse, na Bíblia. Para o cientista, os textos eram a chave para desvendar o que aconteceria no final dos tempos.

Ele chegou a redigir a obra “As profecias do Apocalipse e o livro de Daniel”, traduzido para o Português, recentemente, mas seus manuscritos sobre o tema chegam a 4 mil páginas.

ENTREVISTAS: Luciano - Irmão de fé

 
 

Por Guilherme Bryan
guilherme.bryan@folhauniversal.com.br


Welson David de Camargo Nascimento nasceu em Pirenópolis, Goiás, em 20 de janeiro de 1973 e pode não ser um nome familiar, mas, como Luciano, ele forma, ao lado do irmão Mirosmar José de Camargo, uma das duplas sertanejas mais famosas e importantes de todos os tempos: Zezé Di Camargo & Luciano. Enquanto em 18 anos de carreira eles lançaram 19 álbuns, que venderam mais de 26 milhões de cópias, o filme sobre a vida deles, “2 Filhos de Francisco”, foi visto por mais de 5,3 milhões de pessoas. Nesta entrevista, Luciano comenta a relação com o irmão, a paixão pelo cinema e o que pensa a respeito da música na internet.

1 – Durante o lançamento de “Zezé di Camargo & Luciano”, de 2008, seu irmão comentou que os últimos anos foram os mais difíceis da carreira dele, em função de um cisto congênito numa das cordas vocais. Foi tudo realmente mais difícil para o trabalho de vocês?
O Zezé ficou 1 ano com problema e, como a agenda estava repleta de shows, não quis parar para fazer uma cirurgia. Pensou primeiro na equipe, que não poderia ficar sem trabalhar. Mas não se sabia se ele voltaria da cirurgia cantando como ele sempre cantou. Graças a Deus, ele tirou de letra.

2 – No que esse novo CD se diferencia dos anteriores?
Esse CD é mais pessoal, devido ao Zezé ter vencido esse obstáculo. Mas todo trabalho é um marco, ainda mais para quem tem 18 anos de carreira com milhões de discos vendidos. Podem até contestar o nosso talento e não gostar do nosso trabalho – tenho certeza que há talentos muito maiores e melhores –, mas não se pode contestar a história de sucesso de Zezé di Camargo & Luciano, que nunca se prostituiu, mudando de estilo ou cantando diferente para seguir uma onda.

3 – Os rodeios são lugares frequentes de apresentações da dupla. O que você acha das críticas feitas a eles por organizações de defesa dos animais?
No Brasil, são mais de 2 mil rodeios e existem festas piratas que não são nem cadastradas. Agora, nunca participei de festa que não tivesse seriedade com os animais. Pergunte para um boi se ele quer ser de rodeio, que se apresenta por 8 segundos e vai comer o melhor feno, ou ir para um pasto, engordar durante 2 anos e parar na panela do cidadão? Se o boi respondesse, com certeza ele
diria: “Quero pular no rodeio.”

4 – O que você pensa a respeito do download de músicas na internet?
O caminho é deixar de existir o CD e passar tudo para a internet. Hoje em dia, qualquer celular tem MP3 e se baixa muito fácil uma música. Mas há uma cultura de que nada se paga na internet, o que atrapalha, por exemplo, o recolhimento do imposto de renda.
Se você quer baixar uma música, tem que pagar por ela, porque há um custo.

5 – Em 2002, vocês se envolveram com a campanha do então candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. Isso voltaria a acontecer?
Devido a tantas coisas que aconteceram envolvendo campanhas políticas, a melhor coisa foi proibir esses shows. Eu não voltaria a fazê-los e confesso que, quando fizemos, o PT pagava a produção, mas a gente não tinha cachê, o que era justo, porque fazíamos por ideologia.

6 – Você voltaria a votar no presidente Lula?
Essa é uma pergunta fora de cogitação, porque não existe um terceiro mandato e, se houvesse, viraria avacalhação. O governo Lula é bom e sério. Ele quer muito acertar e mostra que está acertando. Mas muitas pessoas que estão junto com ele no poder já mostraram que são farinha do mesmo saco daquelas que detonaram o Brasil.

7 – Qual é a sua opinião a respeito do trato da imprensa com a música sertaneja?
Sempre tive na imprensa grandes amigos e nunca fomos sacaneados. Lógico que houve preconceito com a música sertaneja, assim como com o rock, mas cada um tem o direito de manifestar o seu gosto. Agora, quando uma pessoa é destratada, eu fico zangado. Também são raras as reportagens que participei mostrando minha vida pessoal. Até mesmo meu casamento não foi liberado, porque casei com uma pessoa que não é do ramo, nunca foi e não quer ser.

8 – Por que você critica o rótulo “sertanejo universitário”?
Minha preocupação sempre foi a de que, quando a imprensa intitula “sertanejo universitário”, pode virar algo passageiro. Também temia que aqueles artistas se sentissem na obrigação de só fazer regravações de nossas canções, apenas com uma levada diferente da nossa, e não compor músicas inéditas.

9 – Você já pensou em fazer carreira solo?
Se tivesse que gravar algo sozinho, eu pararia a carreira, pois Zezé foi quem fez com que tudo se desenvolvesse e é essencial na vida e carreira da nossa família. Não adiantaria meu pai ter o sonho, se não houvesse talento. Depois de “2 Filhos de Francisco”, apareceram vários pais com filhos nos nossos shows, dizendo: “Canta aí meu filho.” O menino canta desafinado para caramba e o pai continua insistindo.

10 – Depois do filme você pensou em desenvolver outros projetos como ator ou roteirista?
Ator eu jamais serei, porque sou muito tímido e nasci para beijar só a boca da minha mulher. Dirigir é impossível. Eu não sei nem ligar uma câmera (risos). Mas se tiver a oportunidade de produzir com alguém ou dar uma força para chegar aos apoiadores, farei com o maior prazer. Com relação a “2 Filhos de Francisco”, agradeço demais a Breno Silveira (diretor) e a Patrícia Andrade e Carolina Kotscho (roteiristas) por terem deixado eu me envolver em todos os detalhes do filme, como a liberdade de tirar alguma cena e de dar opinião sobre o elenco, oportunidade rara, ainda mais para quem ama o cinema, como eu, que defendo principalmente o cinema brasileiro.

domingo, 14 de junho de 2009

ENTREVISTAS: Maria Cristina Megid - Cigarro apagado




Por Gisele Brito
gisele.brito@folhauniversal.com.br


A médica Maria Cristina Megid, de 52 anos, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, irá comandar cerca de 500 fiscais que, a partir do dia 7 de agosto, irão colocar em prática o cumprimento da lei antifumo, em todo estado de São Paulo. A lei aprovada no início do mês impede que pessoas fumem em locais coletivos, públicos e privados e acaba com os fumódromos e áreas de fumantes. Similar a de outros países, o descumprimento da lei gera multas pesadas e até o fechamento por 30 dias dos estabelecimentos. Os fumantes, apesar de não serem penalizados pela infração, consideram a lei muito severa e a veem como uma lei “caça-fumantes”, que
restringe o direito de fumar.


1 – Por que é importante criar restrições ao cigarro em ambi-
entes coletivos?
Os males do cigarro estão comprovados, com mais de 70 mil trabalhos científicos. Em um ambiente fechado, onde a concentração das drogas contidas no cigarro é muito alta, as pessoas fumam sem fumar. Isso acarreta mil problemas de saúde. São 30% mais chances de desenvolver câncer, 20% mais chances de ter problemas como infarto e derrame, isso sem nunca ter fumado. Por isso, a proteção da população.

2 – Esses números se agravam para funcionários de lugares que
permitem o fumo?
O funcionário do estabelecimento está muito mais exposto que o cliente, porque o cliente vai algumas vezes, enquanto o funcionário está lá todos os dias, o que, em longo prazo, vai lhe dar problemas de saúde. A gente sabe que a expectativa de vida de pessoas que trabalham assim diminui, dependendo do tempo de exposição ao fumo. Mas qualquer exposição tem risco.

3 – Como será feita a fiscalização?
E quais as penalidades?
A fiscalização será feita pelos agentes de vigilância sanitária, do estado e dos municípios e também pelo Procon. Serão cerca de 500 funcionários. No primeiro descumprimento da lei, a multa é de R$ 792,50. No segundo, a multa dobra. Numa terceira fiscalização onde for comprovado o descumprimento, o estabelecimento é fechado por 48 horas. Em uma quarta – que esperamos que não aconteça – a interdição é de 30 dias.

4 – As pessoas também poderão enviar fotos para um site para denunciar o descumprimento da lei?
É verdade. Todo cidadão poderá fazer uma denúncia, por meio de um telefone e um site que estará no ar em alguns dias. O cidadão preenche uma ficha de denúncia – que não é anônima, mas é sigilosa – e encaminha. Se ela estiver devidamente identificada, assinada de próprio punho, a denúncia vai ser considerada.

5 – Lugares registrados como tabacarias vão poder funcionar
normalmente?
Sim, desde que não haja trabalhador no local em que se fuma e que o estabelecimento não venda mais nada. Os espaços não podem ser café e tabacaria, bar e tabacaria. Além disso, ele vai precisar ter uma exaustão de ar de acordo, a gente sabe que não existe exaustão plena, mas o máximo que é exigido ele vai ter que ter.

6 – Pessoas contrárias à lei argumentam que se criará um clima de criminalização ao fumante. O que a senhora acha disso?
Nós não entendemos dessa forma. Porque nós não somos contra o fumante. O fumante tem plena liberdade de fumar, desde que não afete o direito do outro de não estar em um ambiente poluído. Isso já ocorre em várias cidades de outros países; Buenos Aires, Nova York, Paris, em cidades da Irlanda, que foi o primeiro país, e no Uruguai. Nesses lugares, a lei já existe há muito tempo e não há problema, as
pessoas respeitam.

7 – E nesses países os números
demonstram o quê?
Indicam espantosos resultados após 1 ano de vigência da lei. Em alguns lugares, os casos de enfarte e derrames diminuíram 15% em fumantes e não-fumantes.

8 – As multas serão aplicadas aos donos dos estabelecimentos. Não seria mais efetivo se fossem aplicadas aos fumantes que descumprirem a lei?
Não, eu não acredito nisso. O fumante é um dependente. Ele precisa de ajuda, de tratamento, desde que ele queira, é lógico. O responsável será o empresário que for omisso e deixar que fumem dentro do ambiente.

9 – Críticos à lei argumentam que seria melhor, para a saúde, o combate à poluição do ar em geral, provocada pelos carros, por exemplo. São comparáveis esses dois problemas?
Nós fizemos junto com uma universidade essa comparação. A poluição do ar no município de São Paulo fica muito abaixo do que a poluição do ambiente de fumantes. A diferença é muito significativa. A poluição em ambientes que permitem cigarro chega a ser cinco, seis vezes maior do que em uma avenida de tráfego intenso. Por isso, temos que incentivar ambientes livres de tabaco.

10 – Nos últimos anos já houve uma mudança de cultura, em relação ao cigarro, que antes era glamorizado. Essa lei é um sinal de que é preciso endurecer ainda mais?
Na década de 80, nós tínhamos um percentual de 35% das pessoas fumando, era realmente muito alto. Agora, no estado de São Paulo, nós já estamos em 21%. Nos já tivemos algumas leis proibindo a propaganda do cigarro, o que ajudou muito. A intenção dessa lei é ser mais forte mesmo. Porque, hoje, nós sabemos que não adianta ter ambiente de fumante e não-fumante. Eu acho que é um grande passo. Nós estamos em harmonia com países mais desenvolvidos. Nós esperamos que sirva de exemplo para o resto do País. Mesmo porque, isso faz parte de uma convenção internacional, que é a Ambientes Livres de Tabaco, recomendada pela Organização Mundial de Saúde, da qual o Brasil faz parte. O município do Rio de Janeiro já tem uma lei igual, mas existe uma liminar e por isso associados ao
SindRio não estão cumprindo a legislação. O Estado do Espírito Santo tem uma lei parecida com a nossa. Já foi aprovada na Assembleia, só falta a sanção do governador. E nos municípios de Recife e João Pessoa também existem leis antitabaco.

domingo, 7 de junho de 2009

ENTREVISTAS: No topo da dança - THIAGO SOARES

 
 

Por Inahiá Castro
inahia.castro@folhauniversal.com.br


Com raízes no circo, na dança de rua e na capoeira, aos 16 anos de idade ele começou a ter contato com o balé clássico, mas recuperou o tempo perdido e conquistou o planeta. Hoje, aos 28 anos, o carioca Thiago Soares ocupa o posto de primeiro-bailarino do Royal Ballet de Londres (Inglaterra), uma das mais importantes companhias de dança do mundo, ao lado da noiva e partner, a argentina Marianela Nuñez, também primeira-bailarina do Royal. Vencedor de vários prêmios internacionais, foi com a medalha de ouro no Concurso Internacional de Ballet do Teatro Bolshoi, em 2001, na Rússia, que os holofotes do mundo todo se voltaram para ele. Nesta entrevista exclusiva, ele relembra a trajetória que o levou ao topo da dança mundial.

1 – Você começou no balé clássico aos 16 anos, o que é considerado
tarde. Como isso aconteceu?
Eu fazia dança de rua, capoeira, circo. Sempre gostei de acrobacia, artes marciais, esportes, alongamentos, exercícios e saltos. Fazia parte de um grupo de dança de rua e o coreógrafo me incentivou a procurar o Centro de Dança Rio, que fica no bairro do Méier. A escola estava precisando de bailarinos masculinos. Fiz um teste, eles me adoraram, me deram uma bolsa e ficaram comigo.

2 – Você pensava em ser dançarino profissional? Teve apoio da família?
No começo eu não pensava em viver da dança, mas a coisa foi indo. Em princípio, minha família não me apoiou muito, até por falta de conhecimento. Eles nunca tiveram acesso à dança e ao teatro. Eles achavam que aquilo era uma fase e que talvez fosse passar. Até que notaram o grau de seriedade que tem o estudo da dança e para tentar ser um profissional nessa área. Então, eles começaram a me apoiar na medida do possível.

3 – E como foi para o balé clássico?
Minha trajetória é longa, apesar de ter acontecido em pouco tempo. No Centro de Dança Rio, eu tinha contato com todos os estilos, assim, conheci o balé clássico e comecei a me interessar muito. Tive professores
particulares e passei a participar de competições dentro e fora do Brasil, representando o País.

4 – Como começou a sua carreira internacional?
Em 2001, eu competi no Concurso Internacional de Ballet do Teatro Bolshoi, na Rússia, que é o mais importante do mundo, e ganhei a medalha de ouro. Nunca um brasileiro havia recebido esse prêmio. Nessa época, eu já fazia parte do corpo de balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Já vivia da dança; era funcionário público (risos). Foi, então, que todas as portas se abriram para mim. Tive a oportunidade de ficar na Rússia, a convite do Balé Kirov. Fiquei 8 meses por lá. O Kirov fica em São Petesburgo, mas eu sempre ia a Moscou, onde participava como protagonista em uma companhia um pouco menor, na qual fiquei um tempo fazendo turnês por lugares como a Sibéria. Depois de 7 meses, voltei ao Brasil para apresentar Romeu e Julieta, do coreógrafo Vladimir Vasiliev, grande estrela do Bolshoi, e comecei a sentir vontade de ir para o centro da Europa. Participei de uma audição no Royal e fui aprovado.

5 – Daí a se tornar primeiro-bailarino foi muito difícil?Cheguei com um contrato de corifeu, que estava muito abaixo da posição que eu normalmente ocupava como protagonista. Mas eu aceitei o desafio porque queria muito fazer parte desta proposta de unir teatro e dança que o Royal tem. Depois de 4 anos, passei a ser primeiro-bailarino (a companhia conta com sete homens nesta posição). O caminho é praticamente o mesmo para todos: alguém se machuca e você substitui ou você está se revezando com alguém e entra para fazer o papel principal. Meus primeiros papéis como protagonista foram o príncipe, da Bela Adormecida, e Eugene Onegin (personagem do escritor Alexander Pushkin, da literatura clássica russa). Eles gostaram muito e comecei a ser indicado para ser a figura principal.

6 – Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou ao se lançar sozinho em lugares como a Rússia, por exemplo?
Eu não falava nem inglês bem, muito menos russo. Mas a linguagem da dança é muito fácil de entender. Eu estava obcecado com o que queria alcançar. Estava muito deslumbrado por estar lá, em meio àqueles astros todos, e não me preocupei muito com choque cultural. O mais importante é que eu consegui ser esponja. Cheguei nos lugares e suguei ao máximo. Consegui tirar o melhor proveito de cada lugar por onde passei. Eu estava lá para aprender. Eles eram as estrelas. Ninguém ficava dando sorrisinho para mim nos corredores. Tive que correr atrás.

7 – Como foi a turnê “Thiago Soares e amigos”, que você apresentou pelo Brasil em 2008?
Foi um convite, e eu decidi levar coisas que ainda não haviam sido vistas no País. O Brasil costuma impor alguns limites, como que bailarino pequeno e bailarina grande não têm futuro. Eu levei primeiros-bailarinos de vários lugares do mundo, com essas características, para provar o contrário. Tive problemas com a produção dos espetáculos, mas foi uma experiência incrível. Estou montando um novo projeto para levar ao Brasil, provavelmente, em março de 2010. Tudo vai depender dos patrocínios.

8 – Você está estrelando “Lago dos Cisnes” no cinema. O que
isso representa?
Isso é um golaço. Aqui, (na Inglaterra) é comum as coreografias de balé irem para o cinema, mas esta é a primeira vez que um brasileiro participa de uma versão que irá para toda a Europa. É uma maravilha atingir o público de cinema. Estou tentando uma parceria para levar o filme ao Brasil. De qualquer forma, o DVD será lançado por aí em setembro. Estou muito contente com isso.

9 – Como foi a experiência de desfilar na comissão de frente da escola de samba Portela, no carnaval?
Fui convidado a fazer o Rei Arthur, acompanhado de 12 bailarinos que faziam os cavaleiros da távola redonda. Foi uma experiência indescritível. Apesar de ser carioca, eu nunca havia participado de um desfile. Me impressionou a seriedade daquilo tudo.

10 – Que dicas você dá a quem está começando e pretende se profissionalizar na dança?
É bom que se saiba que não é uma carreira fácil, mas se você realmente ama o que faz e tem certeza disso, trabalhe duro e seja honesto com a carreira que o retorno é possível. Na dança, você sofre, sente dor, mas quando está no palco, é como um milagre. É mesmo uma dádiva de Deus.

domingo, 31 de maio de 2009

ENTREVISTAS: Fluvia Lacerda - O charme das gordinhas




Por Eliana Caetano
redacao@folhauniversal.com.br


Ela tem 28 anos de idade e há 3 faz parte do grupo de modelos de uma das agências mais famosas do mundo. Entre mulheres de corpos muito magros, a brasileira Fluvia Lacerda veste manequim 48 e é especializada em campanhas chamadas “plus size”, isto é, para as gordinhas. Considerada uma das mais bonitas no estilo em que atua, ela tem despontado no cenário da moda internacional. A modelo, que mora nos Estados Unidos e foi descoberta por uma editora de moda dentro de um ônibus, em Manhattan, esteve em férias no Brasil e conversou com a Folha Universal. Ela contou que nunca foi escrava das dietas. Falou sobre bulimia e anorexia, e disse que as gordinhas no Brasil passam um grande sufoco para encontrar o que vestir.

1 – Você sempre foi gordinha. Como lidava com isso?
Sempre fui a mais cheinha da família, mas, honestamente, nunca tive desejo ou senti necessidade de fazer dietas. Nunca fui escrava delas. Não por rebeldia, mas porque sempre gostei de mim dessa forma. Jamais associei o “ser magra” ao “ser bonita”, ou que eu precisaria perder uns quilinhos para poder me curtir, me vestir bem, me amar.

2 – Por que decidiu morar nos
Estados Unidos?
Fui para Nova York há 11 anos, para estudar inglês e outros idiomas. No entanto, diante das dificuldades que a minha família enfrentava naquela época no Brasil, quando cheguei lá, ao invés de estudar, decidi correr atrás de trabalhos que pudessem me ajudar a mandar dinheiro para casa.

3 – Você foi descoberta por uma editora de moda dentro de um ônibus, em Manhattan. Como foi a abordagem?
Estava voltando do trabalho – na época era babá – quando ela se aproximou e perguntou se eu já havia considerado a ideia de trabalhar como modelo “plus size”, ou seja, gordinha. Achei que era piada. Sempre acreditei que para ser modelo era necessário ser pele e osso. Ela me indicou uma agência de modelos. Durante dias, avaliei aquela situação com a minha família, que me apoiou. Aí, visitei a agência e descobri um mundo completamente desconhecido. Na mesma hora colocaram um contrato na minha mão. E não parei mais de trabalhar.

4 – O que a levou a aceitar o convite para se tornar modelo profissional?
Jamais terei quadril de no máximo 90 centímetros e, com certeza, a minha felicidade não depende disso. O que eu tinha a perder? Desde o momento em que assinei o contrato, minha vida tem sido um maravilhoso conto de fadas. Brinco com os meus amigos dizendo que não posso jogar na loteria; acho que Deus veria isso como uma afronta, pois Ele já me deu tudo para eu me sentir uma pessoa muito feliz e realizada.

5 – Você trabalha pra uma agência renomada e tem contato com modelos magras também. Como se relaciona com elas?
Tenho amigas magras, cheinhas, loiras, morenas, altas e baixas. O fato é que não faço campanha apoiando as gordinhas. Sou a favor da felicidade e de que as pessoas se curtam do jeito que são, sem a pressão dos outros dizendo como deveriam ser ou levar suas vidas. A mensagem que tento passar é que mesmo mais gordinha é possível se sentir linda, sexy e, principalmente, ter uma vida saudável.

6 – Como encara a anorexia e
a bulimia?
A triste realidade da anorexia e da bulimia vem abrindo os olhos das pessoas em relação ao perigo da exposição pela mídia de exemplos impossíveis de se atingir – oferecidos, principalmente, por Hollywood e pelo mundo da moda – e que causam problemas nas mentes de meninas pelo mundo afora. As mulheres são constantemente bombardeadas por uma beleza que vem a custo de passar fome ou ir para a faca (fazer cirurgia estética). Me choca quando vejo que muitas perdem a chance de curtir o prazer de ser mulher, os amores, a família e os amigos por conta do constante pensamento de que precisam ser magras.

7 – No ano passado, você decidiu aproveitar o verão brasileiro e teve dificuldades para encontrar um biquíni do seu tamanho. A moda para as gordinhas no Brasil ainda deixa muito a desejar?
Quando ingressei para o mundo da moda foi um choque. Jamais imaginei que existisse um mercado tão amplo. Nos Estados Unidos, e em outros lugares do mundo, podemos escolher vários estilos, cores, texturas e tudo de muito bom gosto. Nada daquelas roupas apertadas que marcam tudo ou aquelas muito largas. No Brasil, infelizmente, ainda me deparo com o sufoco que as gordinhas passam para encontrar o que vestir, até mesmo uma calça e blusinha básicas. Encontrar roupas elas até encontram, mas quem quer se vestir com um saco de tecido, sem formato, sem estilo?

8 – Antes de fazer a primeira campanha, imaginava que haveria roupas
bonitas e elegantes para vestir?
Jamais. A minha referência, até então, eram as roupas brasileiras, mal feitas, mal desenhadas. Mas, logo na minha primeira visita à agência, percebi que essa era uma realidade só do Brasil, que nos Estados Unidos, na Europa, na Austrália e em vários outros lugares, as gordinhas já estavam em outro patamar. Mas é importante dizer que isso só foi conquistado porque as gordinhas pressionaram a indústria da moda e a mídia. Eu acho que isso é o que falta para o mercado brasileiro acordar. É preciso que as consumidoras se façam ouvir.

9 – As pessoas imaginam que gordinhos são sedentários e comem muito. Como você lida com sua saúde?
Ser gordinho não quer dizer sair comendo tudo. Tenho a genética para ser mais cheinha e não luto contra isso. Nunca fiz dieta, mas também não vivo comendo besteiras, tampouco tenho uma vida sedentária. Malho 5 vezes por semana, mas não vou à academia pensando nas calorias que estou queimando, e sim porque gosto da sensação, para manter meu coração e meu corpo saudáveis. Sou cuidadosa no que se refere à alimentação também e só como arroz, macarrão e pão se forem integrais. Evito bolos, biscoitos ou batatinhas. Aboli as frituras e os refrigerantes do meu cardápio. Dou prioridade aos legumes e verduras.

10 – E com toda a malhação e uma alimentação saudável, como manter um
manequim 48?
Pois é, as pessoas sempre perguntam: “Então, por que você não emagrece?” A verdade é que sou viciada em carboidrato e não me nego a comer certas coisas quando tenho vontade. Se quero um chocolate ou um prato com arroz e feijão, por exemplo, não me privo deste prazer de forma alguma. Por conta disso, acho que vivo em equilíbrio. Queimo calorias na mesma proporção em que consumo.

domingo, 24 de maio de 2009

Isabel Clark - Garota da neve




Por Fernando Gazzaneo
fernando.gazzaneo@folhauniversal.com.br


Ela trocou o calor das praias do Rio de Janeiro pelo frio das montanhas do Chile, país onde vive e treina. Aos 32 anos, Isabel Clark é um dos principais nomes do snowboard brasileiro, esporte em que se desliza na neve numa prancha em manobras radicais. Ao contrário do que se imagina, e confirmando a origem carioca, Isabel não gosta de frio. Como ela mesma define, as baixas temperaturas estão entre as desvantagens a serem enfrentadas por amor ao esporte – a principal é a saudade da família. Tamanho esforço, porém, não é em vão.
Nos Jogos de Inverno de 2006, em Turim (Itália), Isabel ficou entre as dez melhores do mundo na modalidade boardercross, variação do snowboard, atingindo o melhor resultado de uma atleta brasileira nos jogos de inverno em toda a história. De passagem pelo Brasil, ela se prepara para as últimas competições para uma vaga nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver (Canadá), que vão ser exibidos pela “Rede Record” em janeiro de 2010. A atleta falou à Folha Universal sobre os planos de criar um local para treinamento de esportes de neve no País.


1 – Como surgiu o interesse por praticar esportes na neve?
Foi em uma viagem aos Estados Unidos, em 1996. Na época, meu irmão trabalhava em uma estação de esqui na Califórnia. Um ano antes, minha irmã tinha ido visitá-lo e trouxe fotos de lá. Fiquei bem impressionada. Com a ajuda do meu irmão, comecei com o esqui, que era mais fácil de aprender, mas o snowboard me parecia mais interessante. Na verdade, o esporte sempre esteve presente na nossa família. Já pratiquei hipismo e, no colégio, gostava de jogar vôlei, handebol e atletismo. O gelo foi a novidade.

2 – Quando você começou a praticar profissionalmente?
Não consigo precisar uma data. As coisas foram acontecendo. Mas um ano muito marcante foi o de 2000, quando ganhei patrocínio para treinar com uma equipe francesa. Outro momento que marcou muito foi em 2003, quando a modalidade que eu gosto de praticar, o boardercross, passou a ser uma modalidade olímpica. Então, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) disse que teria condições de me ajudar, disponibilizando profissionais para me apoiar. Eles (da CBDN) viram que eu tinha possibilidades de representar o Brasil com este esporte.

3 – Quais são as principais dificuldades de estar longe do Brasil?
Não vi a mudança de temperatura como uma dificuldade, mas também não posso dizer que gosto do frio. Ficar longe da família dá muita saudade. Tenho dois sobrinhos e tento passar mais tempo com eles. São as desvantagens de passar a maior parte do ano fora. Tento superá-las pelo prazer de praticar snowboard.

4 – E como é ser casada com seu técnico, Ivan Fuenzalida?
Com o tempo, você vai aprendendo a dividir aquilo que deve ser vivido no treino e dentro de casa. É um desafio conciliar esses dois relacionamentos. Ao mesmo tempo, eu vejo como uma vantagem porque o Ivan é parte da minha família e está sempre do meu lado.
5 – É possível treinar para esportes de neve no Brasil?
Aqui, eu faço a parte de preparação física. Nesse primeiro mês e meio que pretendo ficar no País, vou treinar de segunda à sexta-feira, durante 3 horas por dia. Esta etapa é super importante porque aperfeiçoo minha disposição física para quando eu tiver que fazer os treinos e as competições na neve. A preparação aeróbica e os exercícios de força e rapidez de braços e pernas dão vantagens na hora de competir. Como lazer, faço alguns esportes com prancha para manter o equilíbrio.

6 – Você tem planos de criar um local de treinamento de esportes de neve e gelo dentro do Brasil?
Na verdade, eu me formei em arquitetura, em 2007, e o meu projeto final foi uma pista indoor de neve, isolada do meio externo a uma temperatura de 5ºC negativos. O principal da estrutura é fabricar o gelo, o que não é tão complicado. Há lugares com temperatura semelhante a do Brasil, como Dubai, nos Emirados Árabes, que possuem uma estrutura como essa. É um sonho que eu gostaria muito de concretizar, mas o
tempo é um obstáculo. Além disso, é um projeto muito grande e caro. Seria necessária uma parceira com patrocinadores.

7 – Mas a falta de lugares para treinar aqui no Brasil é a principal dificuldade? Faltam investimentos e patrocínios nesta modalidade?
A questão do patrocínio é difícil no Brasil. Como não temos neve em nossas estações do ano, não há um mercado para se investir aqui. O bom é que eu tenho um patrocínio desde o início da minha carreira.

8 – Você fechou a última temporada dos Jogos de Inverno no 13º lugar no ranking geral da Copa do Mundo de Snowboard Cross, seu melhor resultado em pouco mais de 15 anos competindo. Como avalia esse momento da sua carreira?
Este é o resultado de um trabalho que tem sido realizado desde 2003 e que está melhorando gradualmente. A partir desta data, comecei a trabalhar com treinador, preparador físico, nutrólogo e psicólogo esportivo. Até meados de 2005, além do snowboard, eu também competia em outra modalidade de esporte na neve. Vendo de fora, consigo perceber que ter focado meus esforços no snowboard contribuiu para este resultado.

9 – O desempenho da equipe brasileira de esportes na neve ainda é modesto frente a outras equipes?
Vejo uma evolução dos atletas brasileiros. Eles estão se superando. A Jaqueline Mourão teve vários resultados expressivos nas provas de cross-country do esqui. Também no esqui, Jhonathan Longhi está tendo os melhores resultados de todos os brasileiros na história desta modalidade. Acredito que este desempenho dos atletas está relacionado ao papel da CBDN.

10 – Em janeiro de 2010, a “Rede Record” vai exibir os Jogos Olímpicos de Inverno. O que você acha que essa transmissão em tevê aberta pode trazer de positivo para os esportes no gelo?
A partir dos jogos de Turim, o esporte no gelo começou a ter mais visibilidade. O Brasil está muito evoluído em comparação ao Chile e à Argentina, países que têm neve em casa, mas não têm cobertura televisiva como a que a “Record” promete fazer em 2010. Uma cobertura como essa, traz mais visibilidade e, consequentemente, pode trazer mais interesse de marketing. E isso não diz respeito só a mim, mas para os esportes de neve em geral.

domingo, 17 de maio de 2009

MARIA VICTORIA BENEVIDES - “Jornal não pode mentir”




Por Daniel Santini
daniel.santini@folhauniversal.com.br


A cientista política, socióloga e educadora Maria Victoria Benevides, da Universidade de São Paulo (USP), é uma das pesquisadoras mais importantes da área de Direitos Humanos, além de ser especialista em história política brasileira e uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT). No começo do ano, fez junto com o advogado Fábio Comparato um protesto contra editorial em que o jornal “Folha de S. Paulo” amenizava barbaridades acontecidas na Ditadura Militar. Por carta, os dois reclamaram do termo “ditabranda” e lembraram das torturas nada brandas do período. Acabaram chamados de cínicos. O desrespeito com os dois intelectuais motivou uma passeata em frente à redação e campanhas de cancelamento de assinaturas. Nesta entrevista, a professora, volta a fazer críticas ao jornal, e lembra que o jornalismo é serviço público e deve ser exercido com responsabilidade. “Temos que educar os jovens para cidadania, incutir o respeito ao bem público”, defende.

1 – Após a polêmica da “ditabranda”, como vê os Direitos Humanos hoje?
Hoje, o mais importante, não só devido ao episódio da “ditabranda” mas também aos últimos anos, é que o tema entrou na agenda oficial. Ainda no governo Fernando Henrique Cardoso foi criada uma secretaria e lançado um plano nacional. Quando eu estava na faculdade não se falava em direitos humanos ou cidadania, falava-se em reforma ou revolução. Depois, na Ditadura, começou-se a falar porque a violência atingiu a classe média, até então protegida de abusos da polícia.

2 – Mas ainda há violações, não?
Quis dar o contexto para mostrar como a noção foi estendida. Antes, se falava em miséria, mas não como violação de diretos humanos. Hoje, há consciência política e social de que fome é violação porque fere o direito à vida. Durante algum tempo a questão ficou ligada a assassinatos e torturas. Por isso, ficou a ideia de que é só para bandidos. Não é. É para proteger todos.

3 – Houve uma evolução então?
Sim, o conceito se alargou. Hoje, dá para falar sem ser acusado de defender bandido. Aliás, é interessante como as pessoas são benevolentes com certos crimes e com outros não. Considero hediondos os crimes contra economia popular, de banqueiros, de políticos com dinheiro público. É mais grave que latrocínio, que é uma coisa bárbara. As pessoas morrem por falta de remédio. Houve evolução. Hoje, por mais que muita gente torça o nariz, ninguém defende trabalho escravo, por exemplo.

4 – E os que fazem campanha contra a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do Trabalho Escravo (que prevê que terras em que houver escravos serão destinadas à reforma agrária)?
Tem gente que não só tem mente pervertida, como não tem vergonha de se expor, mas hoje há reação a essas pessoas. Não existe mais o silêncio complacente. Outro exemplo é o do aborto da menina estuprada pelo padrasto. Uma menina de 30 kg que o bispo ameaçou de excomunhão. Houve uma reação imensa.

5 – Como vê a situação dos jovens?
A falta de perspectivas é dramática. O número de desempregados jovens é altíssimo e eles não vêm saídas. As crianças do trabalho infantil e da prostituição vão virar o quê? Temos que educar os jovens para a cidadania, incutir os valores do respeito ao bem público, valores republicanos, democráticos. Isso não se limita ao ensino formal. O exemplo tem que estar em todas as áreas, nos partidos, sindicatos, ONGs, meios de comunicação de massa.
6 – Na imprensa?
Sim, as tevês e rádios são concessões públicas, têm que estar de acordo com a nossa Constituição, que se baseia no respeito aos direitos humanos, na República e na democracia. Os jornais são diferentes porque não são concessões públicas, mas, como são voltados para o público, também têm que seguir a Constituição. A propriedade do jornal é privada, mas a atividade não. É uma atividade pública. Jornal não pode fazer apologia da violência, não pode mentir. Eu e o professor Fábio Comparato fomos caluniados e recorremos à Justiça.

7 – É o episódio da “ditabranda” na “Folha de S. Paulo”? Como foi?
O episódio da “ditabranda” só assumiu a dimensão que teve por causa da primeira carta de um leitor. Isso mostra como é importante a participação de leitores. A maioria não lê
editorial. O jornal se comportou de uma maneira absolutamente irracional. A repercussão foi tão grande que eles tiveram que reconhecer que tinham extrapolado. A palavra “ditabranda” é ofensiva e ultrajante para todos os familiares dos que morreram ou passaram por torturas. Isso chamou a atenção para o papel da “Folha” durante a Ditadura e eles, depois disso, ainda insistiram em retomar temas da época. Não podiam, em hipótese alguma, ter dado aquela matéria absurda sobre a participação da Dilma (Roussef) no Regime Militar.

8 – Publicaram que a ministra e hoje candidata planejou sequestrar o então ministro Delfim Netto? É isso?
Sim. Foi uma matéria indecente, com inverdades. O jornal acabou reconhecendo que a fonte não era fidedigna, que eles pegaram na internet de um grupo paramilitar que defende a Ditadura. Foram obrigados a se retratar. Não sou ingênua de achar que a imprensa tem que ser neutra. Isso não existe. Eu, como professora, não sou neutra. O que é preciso é clareza, transparência. Que eles declarem: “estamos apoiando a candidatura de José Serra”. Há jornais em que a linha é evidente como o “Estadão”, que é muito mais transparente e menos hipócrita que a “Folha”.

9 – A “Folha” afirmou que a senhora é “simpatizante da ditadura cubana e do socialismo chavista”. A senhora é?
Sou simpatizante da participação popular e acho que tem mais participação popular na Venezuela do que no Brasil. Participação popular política. Não tenho simpatia por vários aspectos da presidência do Chavez, mas, se você me perguntar, eu prefiro essa Venezuela do que a de antes, que estava na mão de uma oligarquia predatória vinculada aos Estados Unidos e aos produtores de petróleo. No caso de Cuba, eu tenho simpatia pelo sistema de saúde pública e educação, mas reconheço que, o que eles avançaram em democracia social, estão devendo em democracia política. Espero que a abertura em Cuba seja efetiva.

10 – A principal crítica aos movimentos sociais é a falta de respeito às instituições. Como vê atuações como a do Movimento dos Sem Terra?
O MST é o movimento social mais importante na história recente brasileira. Temos que ter um lado na vida e eu escolhi o lado de quem sofreu opressão, humilhação, quem foi jogado na miséria por essa sociedade excludente e que reage. Todos os países do primeiro mundo que hoje admiramos tiveram movimentos sociais na origem de seu desenvolvimento e lutaram pelos seus direitos.

domingo, 10 de maio de 2009

Orlando Silva - “Torcedor brigão será banido”

Por Andrea Miramontes
andrea.miramontes@folhauniversal.com.br


Orlando Silva de Jesus Júnior, de 37 anos, atual ministro dos Esportes, sempre gostou da militância política. Ele foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) de 1995 a 1997, único negro a ocupar o cargo até hoje, além de presidente de outras organizações estudantis. No Governo, ocupou a Secretaria do Esporte até assumir o ministério, em 2006. Na linha de frente das políticas que defende está a redução da violência nos estádios de futebol. “Queremos segurança, e torcedor brigão tem que ser posto para fora”, afirma.

1 – Qual é sua posição quando afirmam que a obrigatoriedade da carteirinha do torcedor pode inibir a ida aos estádios?
Violência e desconforto impedem o torcedor de ir ao estádio e não a necessidade de identificação. De acordo com o Ibope, 79% deixou de ir por causa da violência e 14% alega desconforto. A carteirinha permite saber quem está lá, e torcedor brigão tem que ser banido. A medida já deu certo em outros países, como Inglaterra.

2 – O Governo quer que ingressos sejam vendidos em lotéricas, mas estes estabelecimentos rejeitam o projeto por medo de violência. Como resolver?
Não há impasse. Cada lotérica poderá optar se quer ou não virar ponto de venda, e ela ganhará se resolver vender. A ideia é multiplicar os pontos e facilitar a vida do torcedor.

3 – Que outras medidas previstas no Estatuto do Torcedor podem amenizar a violência nos estádios?
O projeto torna crime condutas como portar objetos que podem ser usados como arma a caminho do estádio. Hoje, se num ônibus de torcedores encontramos pessoas com tacos de beisebol, não podemos fazer nada. Com a lei, o torcedor poderá ser preso, com pena de 6 meses a 1 ano. Se for réu primário, será banido do estádio. Alterar resultado de jogo e vender ingressos por cambistas também serão crimes.
4 – Como está o programa Segundo Tempo, uma vez que muitas escolas não têm estrutura para receber alunos para aula, quanto menos para a
prática esportiva?
O Segundo Tempo é a inclusão social pelo esporte. No turno em que os alunos não estão em sala, eles praticam esporte. Começamos em 2003 e temos um 1 milhão de crianças beneficiadas. Em escolas que não têm estrutura, usamos outras instalações, como bases militares e centros esportivos. De 2003 a 2008, tivemos mais de 8 mil obras de construção de escolas e de compra de equipamentos esportivos.5 – Em fevereiro, o Comitê Olímpico Internacional estimou os gastos para sediar uma Olimpíada em R$ 29,5 bilhões. Qual o retorno do que é investido em um evento desse porte?
O Brasil é o único país entre as 10 maiores economias do mundo que nunca realizou uma Olimpíada. O retorno é enorme e antecipa investimentos nos locais. Além da promoção da imagem mundial, há o crescimento econômico, que se dá pelo aumento do turismo. A construção civil também cresce e movimenta a economia, uma vez que todas as obras envolvem contratações.

6 – O projeto de organização da Copa do Mundo de 2014 previa que a iniciativa privada arcasse com os custos, mas já se fala de o Governo colocar dinheiro.
As arenas de jogos ainda serão feitas pela iniciativa privada, que poderá explorar
comercialmente esses lugares. Já o Governo fica com a infraestrutura das cidades, como vias e transportes. Já temos um levantamento, mas não dá para falar em valores.

7 – Alguns equipamentos comprados para o Pan-Americano do Rio de Janeiro estão sucateados. O que se perdeu?
Há um registro patrimonial de tudo o que foi comprado. Além das obras, como a reforma do Maracanã, milhares de materiais esportivos são hoje aproveitados pelas confederações. Perdemos uma embarcação de remo e canoagem, que ficou danificada, outras poucas coisas. Lamento, o correto seria não perder nada.

8 – Vimos recentemente o exemplo da atleta olímpica Jade Barbosa que passou a vender camisetas para pagar um tratamento de saúde. Como é possível ajudar os atletas brasileiros?
Temos a Lei Agnelo Piva (determina que 2% do arrecadado pelas loterias federais vá para o esporte), que repassa quase 100 milhões por ano ao Comitê Olímpico. Também mobilizamos as empresas estatais a patrocinar atletas. Temos a lei que prevê desconto no imposto de renda a quem investir na área. Outro ponto é a Bolsa Atleta, que permite que o atleta estudante possa se inscrever. Ele pode receber de R$ 300 a
R$ 2,5 mil mensais, no caso de um atleta olímpico. Em 2008, R$ 42 milhões beneficiaram 3.300 esportistas. O caso da Jade tem que ser investigado, pois a responsabilidade é da confederação a que ela pertence.

9 – O senhor foi o único presidente negro da UNE. Como vê isso?
Acho lamentável que eu tenha sido o único. Isso é um reflexo da sociedade: apenas 2% da população universitária do País é formada por negros. Sou a favor do sistema de cotas.

10 – O senhor superou o escândalo dos cartões corporativos, em que foi registrado o pagamento de uma tapioca com o cartão?
Fiz por engano. E 6 meses antes de sair nos jornais, eu já tinha visto e recolhido aos cofres, mas ninguém fala isso. Até hoje as pessoas têm certeza de que só devolvi depois que saiu na mídia. Devolvi do próprio bolso 100% do que foi gasto: R$ 34 mil. Disso, R$ 26 mil me devolveram no ato, e o resto está em discussão. Mas vou até o fim, pois tenho total controle dos gastos. Superei o episódio, mas me impressionou como a informação é publicada sem qualquer cuidado no Brasil.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Entrevista: Marcelo yuka - “Muro em favela é fascismo”

Marcelo yuka - "Muro em favela é fascismo"
Por Daniel Santini
daniel.santini@folhauniversal.com.br


Marcelo Yuka não mexe as pernas desde 2000. Quando era baterista da banda O Rappa, o músico foi baleado em uma falsa blitz policial no Rio de Janeiro. Levou três tiros, um dos quais em uma vértebra. Em fevereiro de 2009, sofreu outro assalto. Paralítico, foi arrancado do carro e jogado na rua. Yuka tem tudo para sentir raiva e defender medidas duras contra a criminalidade, muros em favelas e caveirões. Nesta entrevista exclusiva, porém, o artista analisa a crise de segurança pública no Rio de Janeiro com equilíbrio e demonstra coerência com o trabalho que faz de crítica social e combate à violência. Ele chama atenção para a fragilidade da política de repressão pura e simples, fala do protesto em frente à feira de equipamentos militares ocorrida mês passado no Rio e afirma que são os condomínios de luxo, e não as favelas, que crescem sobre reservas ambientais. Na cadeira de rodas, Yuka caminha mais do que muita gente.

1 – O que acha dos projetos de muros para cercar favelas no Rio de Janeiro?
Primeiro, está mais do que provado que existe mais avanço de casas de padrão classe média e de ricos em áreas de reserva do que crescimento de favelas. A do morro Dona Marta regrediu de tamanho nos últimos 10 anos. A meu ver, esse paredão é mais uma atitude fascista. O muro é opressivo e remete a uma fase vergonhosa da história da gente. Lembra o muro que separou a Alemanha. Vivemos uma sequência de ações que só oprimem o pobre.

2 – Como conter então o crescimento das favelas?
O Brasil precisa de soluções criativas para seguir crescendo demograficamente. Dá para criar uma arquitetura popular de habitações em que um pavimento serve de base para o crescimento familiar, uma base vertical. Na comunidade da Maré tem prédios de até três andares feitos de tijolinhos, projetados por um arquiteto grego que se influenciou pela arquitetura natural do povo brasileiro. Se a gente endossasse essas soluções a situação seria mais tranquila. É algo mais inteligente do que o muro.

3 – E como vê a política de segurança pública do Estado?
O combate à violência ficou fora de controle. Um caveirão não possui armas precisas, em que se pode escolher tecnicamente entre (atirar em) um traficante ou um cidadão comum. Aliás, não temos penas de morte oficializadas no Brasil. O traficante deveria ser levado vivo. É uma questão de lei e também de inteligência policial. Vivo ele pode falar, tem muito mais chances de saber como funciona o sistema. O problema é que o narcotráfico é mantido por gente da própria polícia e por autoridades judiciárias e políticas. Não interessa a eles que o bandido esteja vivo para falar.

4 – Pesquisas indicam que parte da população apoia os muros e uma política de choque em favelas. O que pensa disso?
O Governo e algumas pessoas se promovem em cima da falta de informação. É um problema antigo. Atitudes populistas divulgadas pelo Governo em certos jornais e mídias de direita ganham respaldo mesmo, principalmente entre quem é desinformado. E além do papel de uma certa mídia, falta educação em lugares com índices mais altos de violência.

5 – A educação pode ser uma arma no combate à violência?
Lógico; no entanto, o único braço do Estado que é visto nas comunidades é o braço opressor, o que entra trocando bala com bala e botando todos, inclusive a polícia, no fogo cruzado. Não tem educação.

6 – Como foi protestar contra a feira de equipamentos militares?
Foi algo natural. Promover uma feira internacional de armas no Rio de Janeiro nos dias de hoje é algo, no mínimo, inconsequente. A iniciativa não visa à proteção do cidadão, visa apoiar as fábricas do produto que mais dá dinheiro no mundo, que é a arma. É mais uma posição infeliz do Governo e dessa coligação com o Município. Minha manifestação é uma das únicas coisas que eu, como homem, poderia fazer. Sou totalmente contra armas.
7 – Você passou por dois assaltos com traumas sérios e, mesmo assim, mantém o equilíbrio. A que se deve essa militância contra a violência?
Fui criado nos dois lados da cidade e isso me deu informação suficiente. Sou um cara do subúrbio, de uma das últimas estações de Campo Grande, mas que pôde fazer faculdade da zona sul. Isso me deu equilíbrio. Além disso, você não precisa de muitas noções políticas, sociais e históricas para saber que o que esse Governo está fazendo é errado. Não é um grande achado. A única diferença é que sou um dos pouquíssimos artistas que usam a mídia que têm para falar sobre isso.

8 – Como assim?
Hoje, se mata mais do que no período (da Ditadura) Militar. Aí vem a mídia falar 'ah, fulano mantém um asilo de velhinhos, sicrano...' Não estou interessado nisso porque talvez isso não seja mais que obrigação. Não faço o que faço porque se eu der dinheiro para criancinha vou dormir com a cabeça mais calma no travesseiro. Faço isso porque para mim é o único caminho, a única maneira de se ter Justiça.

9 – Você tem uma organização não-governamental que atua com presos. Como vê a situação penitenciária atual?
O sistema atual foi implementado na Ditadura Militar com uma ideia de que justiça é castigo. Esse é o grande perigo. É só ver a delegacia de Médici, em Niterói, que tem quase 800 pessoas onde caberiam 200. A sociedade está pouco se lixando. Não observam que isso também é transgredir a lei. Os homens que estão confinados feito lixo têm direitos sociais. Não sou adepto de nenhuma Igreja, nem da Universal nem de nenhuma outra, mas vejo como a religião é presente de maneira positiva entre os presos. É uma coisa muito complicada, mas estou aqui para admitir. Não é propaganda da Universal, mas a única igreja que vejo no presídio onde trabalho é essa.

10 – E quanto à carreira artística?
Cogita voltar para O Rappa?
Nenhuma chance. Virei a página e estou cada vez mais feliz. Estou fazendo um disco novo que se divide em dois momentos – um com o Marcelo ativista e o outro com o Marcelo que aprendeu a controlar a depressão, a melhorar a qualidade de vida fazendo meditação. Não sei onde vai dar, mas tenho que me expressar. Não vou passar a ser um músico frustrado porque vendo pouco. Sou um músico realizado porque faço o que quero.

domingo, 26 de abril de 2009

ALEXANDRE FELDMAN - Quando a cabeça explode




Por Andrea Miramontes
andrea.miramontes@folhauniversal.com.br


“A medicina ainda não achou a cura, mas o paciente pode se curar, mudando hábitos de vida.” Baseado nesta teoria, o médico Alexandre Feldman, de 47 anos, dedica-se, há 20, ao estudo de uma doença que atinge um quinto da população mundial, a enxaqueca. Ele já publicou cinco livros sobre o assunto e atende pessoas de todo Brasil, e até de outros países, que não aguentam mais passar de especialista em especialista sem sucesso. “Elas chegam aqui desesperadas, até que descobrem que enxaqueca é a doença a ser tratada e não o sintoma de outro problema”, diz.
Feldman aponta pesquisas que mostram que cerca de 70% das pessoas que sofrem de enxaqueca já desejaram morrer a continuar com a dor. Por força genética ou hábitos de vida saudáveis, ele nunca teve enxaqueca. “Já tive dores de cabeça, mas nada que se compare ao sofrimento de pacientes que atendo.”



1 – Qual a diferença entre enxaqueca, dor de cabeça e cefaleia?
Cefaleia e dor de cabeça são a mesma coisa. Trata-se de um dos sintomas da enxaqueca, que envolve também náuseas, vômitos, aversão à claridade, a barulhos e cheiros, além de irritabilidade e até depressão. Tudo isso em crises que variam de 3 horas a 3 dias. Tem gente com crises diárias e tem gente que teve uma só a vida inteira. Essa doença não tem idade para se manifestar.


2 – Quem tem mais enxaqueca, homens ou mulheres?
As mulheres. Para cada homem, três a quatro mulheres sofrem da doença no mundo. Também há relação com o período pré-menstrual, que pode desencadear a dor. Isso porque a mudança hormonal pode gerar um desequilíbrio químico cerebral, levando à crise.

3 – Como tratar esta doença?
A medicina não tem a cura da enxaqueca. Em geral, os médicos tratam os
sintomas, mas não a doença. A cura está na própria pessoa, não através de remédios, mas sim de mudanças de hábitos de vida e de equilíbrio emocional. Levar uma vida saudável faz diferença e isso inclui evitar alimentos industrializados, voltar-se aos naturais e, principalmente, disciplinar o sono. Nosso organismo foi feito para dormir enquanto está escuro e não para ficar acordado até tarde com luz artificial. O sono é muito importante na fabricação de substâncias como a melatonina, que equilibra a serotonina (neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar), cujo desequilíbrio pode gerar enxaqueca, depressão e até síndrome do pânico.

4 – O que pode desencadear uma crise de enxaqueca?
Tem gente que come ou bebe algo, como chocolate, vinho ou queijo, e pouco depois sente dor. Mas varia, não é certo fazer uma lista, pois o que funciona para uma pessoa não funciona para outra. Sabemos que algumas coisas influenciam a serotonina e devem ser evitadas como os alimentos refinados
(farinha e açúcar) ou os industrializados. O uso de agrotóxicos na alimentação também tem uma relação direta, pois interfere nas funções biológicas e hormonais, desequilibrando o organismo (veja reportagem na págs. 14 e 15). O ideal é optar por alimentos orgânicos.

5 – O senhor prega o não uso de remédios. O que fazer, então, quando a dor
é intensa?
A longo prazo, remédios não funcionam mais. Durante uma crise sim, aí recomendo usar medicamentos. Mas o tratamento mais moderno envolve a minimização do uso de drogas e maximização da parceria médico-paciente, que tem que conhecer a vida da pessoa para conseguir tratá-la.6 – O fator genético conta?
Muito. Conheço pessoas que dormem e comem mal, desequilibradas emocionalmente, mas que não têm enxaqueca. Eu explico isso pela genética. Não confunda com um “castigo genético”, o que é muito comum de se ouvir. Trata-se de uma predisposição, que pode ou não se manifestar ao longo da vida.

7 – Além da dor, muita gente reclama que a enxaqueca atrapalha na qualidade de vida. Quanto a doença pode prejudicar o paciente?
A pessoa fica estigmatizada. Muitos médicos não entendem a doença e acreditam que os sintomas são só para chamar atenção. A pessoa chega em casa, quer descansar e não sair para jantar ou ir ao cinema. Então, ganha um estigma de chata. No trabalho, as pessoas também não entendem. Tenho pesquisas que apontam que 60% dos pacientes com enxaqueca já perderam uma grande oportunidade de trabalho por causa da doença, 80% se dizem incompreendidos pelo médico, e entre 60% e 70% já desejaram morrer a continuar com enxaqueca.

8 – O senhor diz que relaxar ajuda a amenizar uma crise. Mas como fazer isso num mundo onde todo mundo corre o tempo inteiro?
Há várias formas. Um bom banho pode relaxar, assim como também já está comprovado pela ciência o poder da oração sobre o relaxamento. Em geral, as pessoas fazem tudo errado, chegam em casa e acendem a luz, ligam a televisão e estimulam a visão. A tevê causa uma estimulação no cérebro, atrasa os ritmos de produção de hormônios e a vontade de dormir. A pessoa acaba dormindo por exaustão e não porque realmente relaxou.

9 – Há quem recomende o uso de toxina botulínica do tipo A (popularmente conhecida como botox) para tratar a enxaqueca. Funciona?
Trata-se de um modismo experimental e que não traz resultados tão bons como acupuntura, que deixou de ser uma medicina alternativa para se transformar em uma especialidade médica, com ação cientificamente comprovada. A técnica milenar influencia as quantidades de endorfina no cérebro, o que faz com que o paciente se sinta bem.

10 – Quanto tempo leva um
tratamento de enxaqueca?
Depende de cada pessoa. Não é possível prever. Depende da capacidade da pessoa em ser fiel ao tratamento, do desequilíbrio químico no organismo e do poder do organismo em se regenerar. Se é alguém debilitado por outras doenças, essa pessoa vai ter uma dificuldade maior de amenizar as crises.

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